Contos no Bus I


A vida não é fácil!
Temperatura moderada. Soltei mais cedo da aula hoje. Estava feliz por pensar que pegaria um ônibus vazio. Poderia escutar qualquer música no meu fone de ouvido e ler meu livro tranquilamente. Não sei por que mas sabia desde o inicio que eu estava errado..

Fui o primeiro a passar pela roleta. Sentei perto da janela no canto direito. Abri meu livro e comecei minha leitura tranquilamente enquanto outras pessoas que saíam de seus serviços, soltavam mais cedo de suas aulas ou apenas estavam indo para casa pagando passagem ou não, entram no mesmo ônibus que eu. Não que fizesse diferença a quantidade de gente, eu já estava sentado no meu canto. Os outros não me importavam. Os bancos começavam a se preencher com bundas de várias cores. Não fazia diferença. As pessoas passavam a roleta cada vez menos. No fundo do "Bus" parece que tinha mais lugares vazios. Dei graças a Deus que ninguém sentou do meu lado. Poderia ir sem nenhuma incomodação ou distração lendo meu livro calmamente.

Mas Deus estava de bom humor hoje. Esse é um dos motivos por que eu gosto tanto dele. Ele sabia que não teria graça nenhuma me deixar ali sozinho com meus fones de ouvido. Foi então que ouço o ônibus tremer. Terremoto? Terroristas? A Gorda!

Puta que pariu!

É fato que nenhuma gorda entra sozinha num ônibus, pois ela precisa conversar, falar ou ao menos fazer fiasco. logo tem sempre uma amiga para tagarelar com ela, tanto faz, deixem elas falarem estou com meus fones pensei eu. Mas esse não era o motivo pelo qual não conseguirei dormir hoje. A cúmplice sentou no banco de trás e eu pensei: Não, não não... ... sim, sim, sim. Eu me ferrei. A gorda vinha a roubar o vazio lugar do meu lado. Não que isso fizesse diferença. Mas pelo fato de que um banco era pouco para ela. Ela queria fazer uma curva à 80Km/h. Foi assim que ela se apresentou. 3 segundos e eu já não sentia uma parte da minha perna esquerda, totalmente esmagada por anos de comida em excesso. O fato de ela ter sentado de lado, para poder conversar com a moça ao lado, e por eu ter que fazer fisioterapia por uma semana para recuperar meus movimentos não eram nada. Ela parecia que tinha uma pulga no meio das calças. A gorda não conseguia ficar parada num lado só, ela tinha que inverter em qual glúteo ficaria mais tempo encostado no banco já que os dois não cabiam. Suas sobras se mexiam, minha concentração acabava, pois seu movimento salientemente mexia o ônibus de um lado para o outro. O suor que escorria de seus pneus gastos poderia fritar uma porção média de batatas fritas e um pastel de carne de rodoviária. Aquele inferno não acabava nunca. Pensei até em encenar uma desmaio ou ataque de gripe suína para ver se alguém trocava de lugar comigo.

Moral da história. Não consegui ler nada. Não me lembro de nenhuma música que escutei e faltando uns minutos para chegar ao meu destino, para minha felicidade a gorda se levantou e para minha infelicidade outra gorda sentou-se em seu lugar.

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