Tripolaridade


É incrivelmente impressionante a quantidade de palavras no dicionário português-brasileiro, assim como é excepcionalmente extenuante como as pessoas não conseguem se expressar usando tais palavras. Aliás, por obséquio, preciso dizer que me surpreendo quando as pessoas conseguem sentir emoções e catarses de um nível ridículo a um nível possivelmente infinito, mal se sabe os limites do corpo e alma humanos.

Divido essa habilidade racional imensurável em três grandes linhas de pensamento ou âmbitos de sentimento: A raiva, a paz e o amor. Por mais óbvias e simples e fáceis que pareçam, dificultá-las é meu objetivo. Chamo-as de Tripolaridade, o meu ciclo de vida.

Primeiramente, mas não mais privilegiada, escolho a fúria. Não é qualquer violência, agressão sem sentido ou explicação, é o poder que temos de expurgar todo e cada medo, pavor, vontade e paixão de dentro para fora - do coração para o mundo - de vários jeitos e maneiras incalculáveis. É uma expressão totalmente limpa de quaisquer impedimentos e atrasos chamados de “hesitação” ou “bom senso”, contanto que suas consequências sejam aceitáveis para a sociedade, ou, se contra “eles” forem, que seja à favor da própria conservação do mesmo ser vivo.

Segundamente, a calma do espírito ou do chakra. Trata-se não somente do silêncio vindo de todas as direções – externas e internas – ou da concentração exigida pra chegar ao cosmos e rever sua vida como homem de bem, porém da necessidade de precisar especificamente de algo para chegar ao Nirvana, mesmo que tal coisa seja etérea ou material, psíquica ou física. Ultimamente a população do homo sapiens sapiens (duas vezes sapiens, somos mais únicos hoje) clama por objetivos, como explanações pro questionamento: “Qual a graça/motivo de sobreviver?”, pensando que a substancial e duvidosa resposta disso possa traçar algum caminho à felicidade.

Por fim e pra combinar com o clichê “não menos importante”, nos deparamos com o dogma. O credo de que certa música caracteriza a nós e o nosso instante com outrem, o nervosismo de poder falhar em conter borboletas no estômago, ou ainda, a pressão em haver de disponibilizar prazer continuamente. Veja, intelectualmente e imaginariamente, que o que grito nesse conjunto de ideias é a força que presenciamos ao ver o apaixonado(a), o tão demasiadamente querido por nosotros, que nos faz esquentar o nosso conjunto de ossos e músculos e nos faz estremecer do calafrio aterrorizante que é esse espetáculo acontecimento.


Terminando esse escarcéu de palavras não conferidas no nosso vocabulário, quis falar em variadas sentenças que o triplo de polaridades é o que somos. Sem exceções, sem fugas e sem adendos, compartilhamos desse pesadelo que é sonho para quem quiser ver que é sonho. Repetindo somente agora palavras que usei apenas uma vez no texto: “fique com raiva, permaneça em paz e goze do amor”. Chega de mensagens auto-ajuda e de frases preparadas. Viva a sua vida difícil (agora dividida por um terço ou triplicada), pegue o seu próprio dicionário pra encontrar um significado pra ti e um Aurélio pra entender o que eu escrevi aqui.

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