Confissões da Madrugada
Penso se,
algum dia, me conformei com o fato de que a vida nunca ficaria mais fácil. De
que a vida será sempre este amor inconformado que as pessoas sentem, ou aquele
amor que as pessoas não sabem se sentem de verdade, vai saber.
Penso se,
algum dia, consegui viver minha vida difícil sem reclamar. Consegui ver um amor
em conflito, aquele que acaba e não acaba, mas que quando acaba, acaba tanto,
que parece que me afeta, e me acaba também.
Penso se,
algum dia, aprendi que a vida é bem mais que dormir à tarde e aprendi que um
mundo lá fora fica gritando pra mim: “Sai desse casulo que tu chama de vida! Explora-me!
Viva-me!”. Se o mundo também grita pro casal “Saiam desse casulo que vocês
chamam de amor! Explorem-me! Vivam-me!” eu não sei, mas é a mesma situação, e
tem tantos amores que não aprendem...
Penso se,
algum dia, entendi que a vida é bem mais que uma piada, bem mais que um
sarcasmo. Se entendi que é um espetáculo inteiro, algo tão maravilhoso quanto
um amor platônico na mente do amante, algo tão desprezível quanto perder o amor
desse mesmo amante para o melhor amigo e algo tão paradoxo quanto saber se tu
tá indeciso ou não com relação àquela garota.
Penso demais,
é o defeito de quem não sabe se a vida merece tantas metáforas sobre o amor. É
o defeito de quem não sabe se o amor merece tanta atenção assim, eu não sei.
Por isso eu
paro de pensar. A vida não foi feita pra ser calculada por inteiro e mesmo o
maior calculista não sabe desvendar as equações do amor. Saio do meu mundo de possibilidades
e probabilidades e vejo o mundo como ele realmente é. Vejo que as coisas estão
ali e vão continuar ali a não ser que eu faça alguma coisa. Sinto que preciso
mudar. Preciso viver.
Então, a única
coisa que eu penso é que esse texto não é um sentimento de auto-ajuda e que
retrata alguém conturbado com o que sente, alguém, que (risos), com certeza,
não sou eu.
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