Ansiedade Pré-Perfeição
Estamos fadados ao fracasso da perfeição. Aquela em que acreditamos longinquamente alcançar quando fazemos nosso trabalho da faculdade; aquela perfeição que queremos quando cozinhamos algo para nosso cônjuge; aquela perfeição que tentamos fazer com que aconteça quando estamos ao lado de quem gostamos muito. Somos totalmente suscetíveis à querer sempre o 100%, a querer que tudo seja sempre como queremos que seja. Mas nós, humanidade, somos os piores e a culpa nem é nossa: a perfeição não existe.
Contudo, sentimos uma vontade inigualável de querê-la do mesmo jeito. Ao fazer o trabalho da faculdade, queremos que todas as informações sejam expostas de modo que fique claro; quando cozinhamos, fazemos de tudo para que tudo fique delicioso; quando estamos ao lado "daquela" pessoa, esperamos que não vacilemos, e que saibamos beijá-la no final das contas. Sentimos algo dentro de nós mesmos que nos leva a querer sempre alcançar a perfeição, já que esta nos foi dada como meta, como objetivo. Logo, estamos sujeitos a querer sempre o que nunca poderemos alcançar e, no final das contas, acabamos ficando com o que conseguimos, a quase perfeição, o 99%, o fracasso do pleno desempenho.
Essa ansiedade, essa vontade, esse sentimento que não consegue ser definido mas que nos anima, ainda é um mistério para nós, leigos humanos. Queremos que as coisas sejam perfeitas, mas sabemos que nunca serão, porém isso não nos desmotiva e não nos faz parar de querer alcançá-la de qualquer forma. Então, contraditoriamente, percebemos que essa é a coisa mais linda que nós temos.
É algo maior do que insistência, é algo mais complexo do que "nunca desistir" porque nem os credores de horóscopo conseguem explicar o que não pode ser explicado. Isso entra naquela lista de coisas que não podemos resumir, como o amor, aquela guria daquele grupo de amigos que tu não para de pensar ou o motivo de nunca usarmos bháskara na nossa vida. Seguimos essa utopia porque ela nos identifica como pessoas capazes de querer, sentir e querer sentir.
Então, nos conformamos com isso. Nos conformamos com algo que ainda não conseguimos mudar. Aceitamos que estamos fadados a querer sempre o que não podemos alcançar. É o contrário do amor, que é abstrato e que pode ser bom de qualquer maneira. É exatamente como a morte, exceto pelo fato de que a morte talvez seja a perfeição extrema, por isso nunca a queremos.
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