A Saudade é da Mudança

      Não é à toa que saudade é uma palavra difícil de se traduzir para outras línguas: quase não conseguimos explicá-la na nossa própria. Não temos certeza se é um sentimento que temos pela vontade de continuar fazendo o que fazíamos mas paramos de fazer; se é pela nostalgia de momentos que nos marcaram de forma afetiva e agradável; se á apenas a falta de algo, alguém ou de algum. Não sabemos se é algo que queremos de volta, se é algo que deixará marcas ou se é apenas aquele sentimento de "aquilo foi bom".

      A saudade é prova de que a mudança existe. Ora, se não mudássemos, não sentiríamos saudade do que aconteceu. A mudança nos causa saudade das coisas boas que vivemos, mas ela é apenas parte do processo da vida e a saudade é apenas a consequência do processo de mudança.

      Então, sentimos uma vontade misteriosa de revivermos o que nos mostra a saudade; de querer voltar a falar com aquela amiga, de querer divertir-se com aquela brincadeira, de querer aquele beijo de novo. A mudança nos traz a saudade e, junto dela, a vontade de matá-la. Contradições à parte, matar a saudade de algo nos faz viver as lembranças boas. Logo, a lembrança do passado é ligada à vontade de revivê-la, o que nos leva a crer que mudar sempre será bom para nós mesmos.

      Mas, dadas as exceções, mudamos muitas vezes porque não queremos mais o que agora é passado e disso não temos saudade. Disso temos apenas vontade de vivermos nunca mais; lembramos somente do que foi bom que é a mudança.

      A mudança, voluntária ou involuntária, é necessária. O que vem no pacote da mudança talvez não esteja planejado, mas acabamos nunca desperdiçando o bônus que nos é dado.

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