O porquê de derrubar um muro ser tão bom

    É inevitável: encontramos barreiras ao longo do caminho. Paredes muitas vezes misteriosas que nos forçam a parar e enfrentá-las. Muros sociais, invisíveis aos nossos olhos porém traiçoeiras por si só. São obstáculos que nos tiram pedaços, nos quebram e nos jogam no chão com o olhar satisfeito de que fizeram o que a vida nos devia. São bloqueios emocionais que nos entristecem e nos envergonham, problemas da vida que nos desmerecem e nos desrespeitam, fases difíceis que nos desafiam e nos matam.

   É inevitável perceber que se somos evasivos com relação às nossas paredes, elas vão crescer, tornarão-se muralhas e nos destruirão por completo; é como dizem: "quanto mais alta (a parede), maior a queda". Somos forçados a levantar o peito diante do que nos faz mal e esse é, senão o pior desafio da vida, um dos piores. Os bloqueios emocionais colocam lava aos nossos pés para que não possamos dar o próximo passo. As paredes da insegurança nos empurram de volta para nossa zona de conforto, fingindo que está tudo bem.

    Tínhamos que estar prontos para nos machucar, prontos para resistir, mas dói. Dói ter que mudar; dói ter que arriscar; dói precisar dar o próximo passo na vida, enfrentar o desafio e tomar a decisão difícil.

    No entanto, ninguém disse que seria fácil; ninguém tinha nos explicado essa parte. Se tivéssemos um manual para as fases difíceis da vida... mas não temos. É tudo por nossa conta. Então talvez seja melhor fazer isso de uma vez. Não pelo encorajamento "melhor fazer e sofrer as consequências do que não fazer e se arrepender", porque com o arrependimento nós já aprendemos a lidar. O nosso café e nossa série já nos esperam caso falhemos mais uma vez. Talvez seja melhor fazer de uma vez pela curiosidade, pelo pavor de saber que algo pode ser muito bom e pelo mistério de saber o que está atrás de uma parede, passando por aquele obstáculo. Somente pelo nervosismo e pela ansiedade é que deveríamos ser convidados a tentar.

   Não temos certeza de que tirar o band-aid do machucado não vai fazer ele voltar a sangrar (ou revelar que sempre esteve sangrando esse tempo todo e que o band-aid foi temporário). Nunca teremos mais que 50% de chance de um novo rolê funcionar: ou ele dá certo ou ele não dá. Ora, nossa zona de conforto sempre estará ali; paredes sempre se erguerão, mas talvez seja a hora de aprendermos a escalar.

  Como um bebê, daremos passos minúsculos para nosso objetivo, para nosso próximo "eu". Descobrindo o que a vida nos insiste em esconder, aprendendo a ler nosso livro de derrotas e percebendo nas entrelinhas que em toda parede invisível há uma falha, um contorno, um jeito de superá-la.

    Não somos fracos por nos acostumarmos a ficar no cômodo dentro das 4 paredes. Somos apenas aprendizes de nós mesmos, ao nosso tempo, como pedreiros reversos da vida autodidatas prontos para começar a trabalhar.

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