Devaneios sobre traições
No meio de um devaneio em plena noite estrelada, penso em momentos nos quais o maior conflito existente era dentro de mim. Havia lá dentro uma revolução acontecendo entre meus sentimentos e o motivo parecia ser uma traição. Veja bem, não digo traição de dois amores, aquele em que um dos lados - por livre e espontânea vontade - decide fazer o que não lhe convém, algo anos-luz distante de qualquer zona de conforto, através de um psicológico abalado e um motivo pessimamente explicado e injustificável. Digo traição de sentimentos próprios, quando a mente decide fazer o que não lhe convém, o coração faz algo pessimamente explicado e injustificável e o psicológico abala nossa alma por livre e espontânea vontade. Curioso perceber que não estamos salvos de nós mesmos, mesmo em nossa "zona de conforto do autoconhecimento". Anos passarão e os sentimentos permanecerão instáveis e indomáveis.
Durante este devaneio, percebo que vozes dentro de mim ecoam alto, sempre uma querendo falar mais alto que a outra. A voz do coração quer dizer que chamar ela é a melhor solução, a razão argumenta que o tempo ajuda qualquer coração, mas o tempo discorda, falando que a solução não quer saber de conversa, eles já estragaram demais o menino. Numa traição, o flagrante é motivo de discussões, gritos e argumentos sendo jogados na parede. Frases como "Mas não se pode jogar a razão pela janela!" surgem; "Você está louco! Está perdendo a noção!" são repetidas durante a noite, embora a noção esteja em algum lugar, mas só esqueceu de avisar que saía. É fácil dizer "Você não presta mais!" mas ninguém pensa no coração neste momento. Por fim, tem-se que tomar uma ação concreta: escolher alguma decisão confusa dentro das opções propostas nessa reunião de sentimentos perdidos, dignos de troféu do Oscar por "melhor cena de drama". Longe de uma traição, onde a reunião dos amores confusos parece uma opção perdida no meio de decisões concretas, deveríamos merecer troféus concretos por decisões perdidas nessa reunião dramática de cenas confusas que é a vida.
Ao final do devaneio e ao perceber a luz do sol querendo convidar a manhã para entrar, concluo que o conflito faz parte. Deixar só um dos sentimentos tomar as rédeas da vida é quase psicopatia. A guerra interna é necessária para que todos os fatores sejam levados em conta e a traição seja punida com decisões imperdoáveis. Deixemos sempre o amor vencer, baseado nos pilares da desarmonia e da desordem que é nossa alma, para então notarmos que muitas vezes o alinhamento entre os sentimentos está mais próximo do que imaginamos.
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