Metáforas e montanhas-russas

Ao chegar no parque, já vejo o maior brinquedo do local, com trilhas que fazem voltas e rodopios, subidas e descidas radicais. Fico de boca aberta ao ver algo tão majestoso funcionando, essa vida louca que sobe, desce e faz voltas. Logo também percebo as pessoas que fazem parte disso: ora vários por vez, ora alguns. Mas sempre tem alguém que faz parte dessa montanha-russa, sempre tem alguém que faz esse brinquedo funcionar.

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É louco como uma subida demorada e uma descida rápida de um brinquedo nos faz pensar tanto sobre nossa vida. Como num suspiro, tudo que tu construiu, tudo que se formou no teu coração pode muito bem cair, desmoronar. Entretanto, não para o chão nem para o final: é apenas uma forma de pegar impulso e subir de novo. Parece óbvio, mas tanta gente cai tanto e parece que não consegue mais subir...

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A parte que menos gostamos sempre vai ser a subida; só o que ela nos proporciona é a ansiedade, a expectativa e o medo do que se vê à frente: o inesperado. Ficamos ali, indo devagarinho, não sabendo quando chegaremos na hora boa e, quando finalmente a temos, dura pouco e nem damos conta.

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Como a vida, uma montanha-russa nunca vai ser plana. Que graça teria andarmos numa velocidade constante durante todo o seu percurso para chegarmos ao final sem nenhum estímulo de aventura equilibrado com algumas decepções?

Somos feitos para cair, ficar sem ar, subir devagar, termos nossos momentos e repetir. Além disso, não tem problema nenhum em repetir o brinquedo - é a nossa vida.

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A vontade de ir em uma montanha-russa sempre nos traz sensações diferentes. Muitas vezes vem o medo de experimentar algo novo: "tu viu a velocidade daquilo? não sei se tô pronto pra essa experiência". Combinado com uma certa ansiedade, nunca sabemos o que esperar do que nunca provamos ou sentimos. Levando em conta apenas rumores provocantes, somos persuadidos a provar do sobe e desce (expressão totalmente intencional) louco que a vida nos proporciona, deliciando de todos os momentos, uns mais que outros. O que restam são memórias - boas ou ruins, acontece - e histórias pra contar...ou lembrar.

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Em alguns parques da vida, vemos mais de uma montanha-russa. Analisamos a mais básica, com algumas inclinações laterais, descidas pouco íngremes e menos percurso. Então percebemos a de nível médio, com uma volta que parece um loop, uma altura considerável e velocidade mais alta que a anterior. Por fim, vemos a mais promovida do parque: com um nome chamativo, essa montanha-russa tem adesivos de fogo, propõe segundos de percurso de cabeça pra baixo, loops violentos e descidas perigosas. Somos quase pressionados a participar da última, como se fosse algum tipo de requisito para provarmos algo em nossas vidas, mas não importa. Cada um escolhe a montanha-russa que mais combina consigo, ou escolhe andar em nenhuma. Cada pessoa tem sua intensidade e nenhum "só se vive uma vez" deve ser capaz de convencer as pessoas a fazer algo que elas não têm vontade em suas vidas.

Ao mesmo tempo, provavelmente será sua única visita neste parque em muito tempo. Arriscar-se não é passar dos seus limites, é saber exatamente até onde você está disposto a ir. O poder de escolha sempre deverá ser seu, então não o perca se lamentando por não ter andado na Fire Whip, ou se arrependido por ter andado e ficado traumatizado com a experiência.

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