Carta #1
Tomei um banho de chuva hoje. Daqueles que limpa um pouco da alma, sabe? Imaginei que tu tava do meu lado. Talvez porque quisesse sempre te ter do meu lado, ou então que tu também limpasse tua alma; que tirasse todas tuas impurezas, resíduos causados por um passado tumultuoso, algo que deveria estar no ralo e no esgoto. Somente para substituir por outras impurezas, é claro, todos temos nossos segredos sujos. Mas sei que tem algumas marcas - que achamos ser sujeira - que são apenas....marcas. Demonstrações físicas permanentes do que a vida tem para oferecer. É complicado termos marcas que ficam pra sempre na pele e na memória, mas apenas um banho de chuva efêmero pra pensar a respeito.
Me lavei das futilidades pra te encontrar escondida na chuva de novo. A tua imagem coberta de gotas de imaginação foi o que me fez escrever, de novo. Será que algum dia vou ver um arco-íris através das nuvens? Penso se as nuvens não são apenas marcas que só me impedem de ver o que realmente importa. Mas o que realmente importa?
Talvez eu não quisesse uma chuva, mas uma enchente pra que tu possa ver que depois da tempestade o sol sempre vem. Que te lave, te limpe e jogue nos ralos e esgotos toda sujeira da alma. Só não esquece de tirar as roupas do varal antes de sair.
Pelos nossos bons momentos.
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